O Tempo Assíncrono

Esta primeira questão – a do tempo – é para mim uma variáveis fundamentais na perspectiva do estudante online, ligada a outra variável que me habituei a pensar como distinta desta (embora em muitos aspectos com ela relacionada) que é a da adaptação à assincronia. Julgo mesmo que esta última, ou mantendo a lógica do e-puzzle, os aspectos ligados à adaptação ao tempo assíncrono, são uma das resistências mais difíceis de ultrapassar, ou um dos preconceitos mais difíceis de erradicar, porque construímos os nossos hábitos e processos de comunicação num modelo síncrono. Parece-me que um estudante online ultrapassa muito mais depressa as questões de gestão e organização do tempo ou até mesmo o facto de comunicar textualmente do que a ausência de um interlocutor na mesma dimensão temporal, porque é assim que representa o que é comunicar.

Aliás, basta darmos um pulinho aqui ao lado e ler as primeiras linhas do artigo “Psicologia das Interacções online e e-learning” que o Prof. António Quintas disponibilizou em PI para verificar como este é um dos grandes obstáculos (quase diria “traumas”) na adaptação à assincronia, e observar como apesar do que os estudos demonstram e do que a experiência ensina muitas pessoas persistem convictamente agarradas à ideia de que a comunicação síncrona é que é verdadeira, autêntica e relevante do ponto de vista das relações sociais e interpessoais neste contexto.

Por outro lado, uma das dificuldades maiores em termos da gestão e organização do tempo online tem a ver com a percepção inicial (errada, muito) de que este tempo, tal como o contexto, é virtual, i.e. não tem existência física, logo poderá sempre encaixar-se algures entre as várias actividades e os vários compromissos que enchem a nossa agenda. Como o mundo virtual parece existir (de facto existe) numa dimensão paralela ao mundo físico, tende a percepcionar-se a relação entre o tempo online e o tempo físico da mesma forma. E então a tendência é para ir preenchendo o tempo diário com mil e uma coisas que cabem na agenda, pensando que a flexibilidade do tempo online (faço quando quero ou me dá jeito) equivale a uma extensão do tempo disponível para fazer as coisas. Claro que, rapidamente, se percebe que não é assim, e esse é normalmente o primeiro grande momento de ansiedade e desespero, em muitos casos, sobretudo se existe um nível alto de interacção e de produção de mensagens. De facto, se o mundo virtual/online representa uma extensão, um acrescento ao mundo físico, relativamente ao tempo as coisas não se passam assim, porque ele é só um, embora possa ser percepcionado de formas diferentes. O preço da inexperiência é, geralmente, acabarmos com o dobro das coisas para fazer no tempo que temos disponível.

Por isso, é fundamental, como aliás já afirmaram outros colegas, que o estudante planifique/planeie o trabalho que tem que realizar, crie rotinas em termos do acesso à sala de aula virtual, à leitura de documentos e mensagens, à colocação das suas contribuições, etc., e reserve de facto na sua agenda o tempo para desenvolver essas actividades. Até porque, dado que o volume de informação em uso e em circulação é bastante mais elevado do que nos contextos presenciais, e ainda porque a comunicação é (maioritariamente) escrita, o tempo necessário ao desenvolvimento de muitas dessas actividades é normalmente superior (duas ou três vezes mais) ao dos contextos presenciais.

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