O individual e o colectivo na Web 2.0
Um dos aspectos que acho interessante nisto da web 2.0 é a aparente tensão entre a apologia da liberdade e do poder do indivíduo (o user empowerment, o indivíduo que controla o seu próprio processo de formação/educação contínua, et.) e a noção de inteligência colectiva ou “hive mind”, uma espécie de espírito comunitário de massas (wikipedia, digg, etc.) em que o individual se parece diluir na massa anónima.
É verdade que no primeiro caso o indivíduo é sempre perspectivado como estando integrado em redes de comunicação, mas valoriza-se muito a presença e a autonomia individuais, e parece-me ser essa sobretudo a tendência que está a ter mais adesão, à medida que a publicação anónima (individual ou colectiva/colaborativa) (wikipedia, por exemplo) ou a gestão de conteúdos a partir da massa anónima (digg, por exemplo) sem quaisquer filtros que assegurem a qualidade ou fiabilidade ou relevância mínimos começam a ter cada vez mais críticos.
Exemplos são este artigo de Will Thalheimer intitulado “Are Wiki’s Inherently Flawed?” (off-topic: que contém um link interessante para um artigo em que demonstra como a noção de que as pessoas se lembram de 10% do que lêem, 20% do que vêem, 30% do que ouvem, etc. é falsa e não tem qualquer validação científica) ou o polémico ensaio que Jaron Lanier publicou na Edge e a que chamou “DIGITAL MAOISM: The Hazards of the New Online Collectivism”.
A própria wikipedia alterou recentemente a sua política relativamente à edição de páginas devido aos muitos problemas reportados quanto à fiabilidade ou seriedade de muitos contributos.
Em nota, deixo esta informação interessante: embora Tim O’Reilly afirme que “The concept of “Web 2.0″ began with a conference brainstorming session between O’Reilly and MediaLive International. Dale Dougherty, web pioneer and O’Reilly VP”, e em termos gerais isso seja reconhecido,´o termo fora já usado em 1999 por Darcy DiNucci num artigo publicado no site da AllBusiness intitulado “Fragmented Future”. Dizia ele: “The first glimmerings of Web 2.0 are beginning to appear, and we are just starting to see how that embryo might develop.”
[] JM
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