<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Em Cena &#187; Comunicação Educacional</title>
	<atom:link href="http://orfeu.org/mpel06/category/comunicacao-educacional/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://orfeu.org/mpel06</link>
	<description>A exposição dos discursos</description>
	<lastBuildDate>Thu, 07 Dec 2006 13:21:52 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.2</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Discussão &#8211; Lévy: As Tecnologias da Inteligência &#8211; Os três tempos do espírito</title>
		<link>http://orfeu.org/mpel06/2006/02/11/discussao-levy-as-tecnologias-da-inteligencia-os-tres-tempos-do-espirito/</link>
		<comments>http://orfeu.org/mpel06/2006/02/11/discussao-levy-as-tecnologias-da-inteligencia-os-tres-tempos-do-espirito/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 11 Feb 2006 12:25:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação Educacional]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://mpel2006.wordpress.com/2006/02/11/discussao-levy-as-tecnologias-da-inteligencia-os-tres-tempos-do-espirito/</guid>
		<description><![CDATA[Data: Feb 8 2006 10:06:PM   
Assunto: Re:Ponto de Vista 
Junto aqui outra citação do Lévy, que aparece no final do ponto &#8220;Indeterminação e Ambiguidade na Informática&#8221; (pág. 150):

É sempre possível lamentar «o declínio da cultura geral», o pretenso «barbarisamo» tecnocientífico ou a «derrota do pensamento», sendo infelizmente cultura e pensamento cristalizados numa pseudo-essência que não passa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span><strong>Data:</strong> Feb 8 2006 10:06:PM   <br />
<strong>Assunto:</strong> Re:Ponto de Vista </span></p>
<p><span>Junto aqui outra citação do Lévy, que aparece no final do ponto &#8220;Indeterminação e Ambiguidade na Informática&#8221; (pág. 150):</span></p>
<p><span /><em><span /></em></p>
<p><em><span>É sempre possível lamentar «o declínio da cultura geral», o pretenso «barbarisamo» tecnocientífico ou a «derrota do pensamento», sendo infelizmente cultura e pensamento cristalizados numa pseudo-essência que não passa de uma imagem idealizada dos bons velhos tempos. É mais difícil, mas também mais útil, aprender o real que está a nascer, torná-lo consciente de si mesmo, acompanhar e guiar os seus movimentos, de maneira a que venham à tona as suas potencialidades mais positivas (p. 150)</span></em></p>
<p><em><span /></em><span /></p>
<p><span>Como seres com tendência (quase obsessiva, diga-se a verdade) para controlarmos o que nos rodeia, somos mais naturalmente inclinados à conservação do que à mudança, genericamente falando.<span id="more-17"></span></span></p>
<p><span /><span /></p>
<p><span>Mesmo quando as mudanças são naturais &#8211; as que se verificam de geração para geração &#8211; há sempre este sentimento de que se estão a perder valores e saberes fundamentais, e a substituí-los por outros de menor valor. É  por isso que o discurso típico &#8220;os alunos sabem cada vez menos&#8221;, &#8220;hoje os jovens não têm valores&#8221;, etc., já remonta à Antiguidade. E, no entanto, a ser verdade, hoje estaríamos certamente num estádio de evolução próximo do nosso patamar de início. Isto quer dizer que é difícil compreendermos, destrinçarmos, aquilo que no novo é bom, irá perdurar e fazermos evoluir, aquilo que  no novo é mau e acabará por ser abandonado, aquilo que do antigo vale a pena preservar e aquilo que do antigo é preciso deixar cair.<br />
</span><span>Este sentimento é sobretudo agudizado quando, como acontece nos dias de hoje, somos apanhados em períodos de transição, em que emergem mudanças estruturais profundas nas nossas formas de vida, com a agravante de, neste caso, as mudanças ocorrerem a uma velocidade estonteante.<br />
</span><span /></p>
<p><span>O tempo se encarregará, naturalmente, de fazer a selecção, preservando o que se revele útil e funcional e oferecendo o resto à História ou à Antropologia. Só que nós, que temos que viver todos os dias, acreditar em alguma coisa e tomar decisões, não podemos ficar à espera, e nesse sentido as tuas preocupações são da maior relevância.<br />
</span><span /></p>
<p><span>Como o próprio Lévy refere, o declínio da verdade e da objectividade (quanto à crítica não concordo, para já) não emergiram da Internet ou do saber informatizado. São aspectos estruturantes da pós-modernidade, como o são o relativismo, a fragmentaridade, a indeterminação ou a ambiguidade. O que parece ter acontecido, na linha aliás do que diz Castells e eu me atrevo a levar um pouco mais longe, é que a pós-modernidade encontrou na Internet e na cultura digital, em muitos aspectos, uma realização concreta e operativa de muitos dos seus pressupostos teóricos.<br />
</span><span /></p>
<p><span>Pensemos um pouco na reacção (estou aqui a ficcionar um pouco libertariamente, entenda-se) daqueles que assistiram à emergência da escrita e viram as suas gerações mais jovens abandonar o pensamento formulaico e mnemónico, o respeito pela preservação da memória em formas que pudessem facilmente evocar de cor, para se dedicarem a coisas mais estranhas como o pensamento abstracto, a introspecção e a reflexão por a escrita ter dispensado esse armazenamento na memória. Provavelmente, esta mudança que hoje sabemos ter sido fundamental para o nosso desenvolvimento terá parecido uma decadência grave nas competências e nos conhecimentos das novas gerações.<br />
</span><span /></p>
<p><span>Hoje, algumas características da cultura pós-moderna encontram no mundo digital uma realização quase perfeita: a informação pode ser decomposta e recomposta, fragmentada, aglomerada em sínteses construídas a partir de diferentes linguagens (texto, gráficos, som, vídeo), a noção de autoria perde estabilidade, o receptor pode tornar-se também ele um produtor, etc. Ligado a isto, a própria velocidade a que a informação pode mudar, ser recombinada e distribuída, e o facto de a organização social na cultura digital tender muito mais para a horizontalidade (cooperação, entreajuda e partilha) ajudam a consolidar não só o subverter da objectividade, como também a resistência a discursos de poder ou a verdades absolutas. Daí resulta uma preferência pelo conhecimento operacionalizável, funcional, útil e adequado no momento em que precisamos dele. Se num outro contexto ou situação esse conhecimento se revelar imperfeito ou ineficaz, podemos, dada a rapidez e a facilidade de acesso à informação, mobilizar outras combinações, perspectivas ou actualizações que sejam mais adequadas nesse momento ou para esse fim.<br />
</span><span /></p>
<p><span>É evidente que, no meio deste turbilhão, temos muitos problemas para resolver, desde a facilitação das competências necessárias para lidar de forma eficaz e produtiva com esta massa de informação, até à persistência na manutenção de competências e valores que achemos essenciais. Como tu muito bem dizes e eu concordo bastante, </span><em><span>o incentivo à leitura, à sua interpretação, à escrita e à memorização “de cor” continuam e continuarão a ser ferramentas fundamentais na educação. Sem estes o “saber informatizado” não serve para nada.</span></em></p>
<p><em><span /></em><span>A questão está em encontrar os caminhos para fazer isso de maneiras que acompanhem as novas formas de pensar, comunicar e lidar com o conhecimento e a informação na cultura digital, em vez de criar resistência e recusa. Porque afinal o que queremos é chegar àquilo que a Manuela, na minha opinião, exprimiu muito bem:</span></p>
<p><span /><em><span>A velocidade que a era digital nos permite evoluir é uma mais valia para o conhecimento. Não dependemos das novas tecnologias mas sim dos novos processos que nos permitem alcançar mais conhecimento.<br />
</span></em><span> </span></p>
<p><span>[] José Mota<br />
</span></p>
<p><span /></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://orfeu.org/mpel06/2006/02/11/discussao-levy-as-tecnologias-da-inteligencia-os-tres-tempos-do-espirito/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ong: Orality and Literacy &#8211; Cap. IV &#8211; Implicações para a compreensão da comunicação mediatizada e da educação</title>
		<link>http://orfeu.org/mpel06/2006/02/11/ong-orality-and-literacy-cap-iv-implicacoes-para-a-compreensao-da-comunicacao-mediatizada-e-da-educacao/</link>
		<comments>http://orfeu.org/mpel06/2006/02/11/ong-orality-and-literacy-cap-iv-implicacoes-para-a-compreensao-da-comunicacao-mediatizada-e-da-educacao/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 11 Feb 2006 12:18:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação Educacional]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://mpel2006.wordpress.com/2006/02/11/ong-orality-and-literacy-cap-iv-implicacoes-para-a-compreensao-da-comunicacao-mediatizada-e-da-educacao/</guid>
		<description><![CDATA[As implicações de vários dos aspectos presentes neste capítulo IV do texto de Ong para a comunicação mediatizada e para a educação são várias e importantes. Refira-se, a título de exemplo, que a adopção desta perspectiva torna absolutamente imprescindível que o desígnio primeiro e mais importante da escola seja o domínio razoável da expressão escrita [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As implicações de vários dos aspectos presentes neste capítulo IV do texto de Ong para a comunicação mediatizada e para a educação são várias e importantes. Refira-se, a título de exemplo, que a adopção desta perspectiva torna absolutamente imprescindível que o desígnio primeiro e mais importante da escola seja o domínio razoável da expressão escrita na língua materna, dada a importância que tem para a estruturação do pensamento abstracto e para o acesso ao conhecimento complexo. Contudo, e por razões de economia compreensíveis, concentramo-nos apenas em algumas implicações relativas ao EaD.<span id="more-16"></span><br />
Dado o facto de a comunicação no EaD ser, sobretudo, realizada através da escrita, um dos aspectos mais relevantes parece-nos ser o da ausência de contexto físico real neste tipo de comunicação.</p>
<p>Enquanto que a palavra oral está enraizada no contexto de enunciação, nas circunstâncias, no presente real e existencial, a palavra escrita está isolada desse contexto. Na escrita, as palavras aparecem sozinhas no texto, e quem as escreve está também sozinho e não na presença do interlocutor. A escrita opera, além disso e por causa disso, um distanciamento entre o texto e o seu autor que, por um lado, lhe confere uma maior objectividade (ainda que possa ser aparente) e, por outro, confere ao discurso um carácter definitivo e perene: o texto não pode ser directamente refutado, diz sempre o que diz, apenas pode ser interpretado, e essa é sempre uma área de incerteza.</p>
<p>O facto de o contexto extratextual estar ausente não só para o  leitor como para o escritor obriga a que, para se ser claro na ausência de gestos, expressões faciais, entoação, receptor, seja preciso prever todos os sentidos possíveis que o texto pode exprimir, ao mesmo tempo que se imagina um receptor/interlocutor, e as circunstâncias da sua recepção, que são sempre, em certa medida, uma ficção (e é precisamente neste deslocamento que emerge a ambiguidade).</p>
<p>Em termos práticos, nos contextos a distância isso implica um cuidado adicional com os termos em que elabora o discurso, quer no sentido de veicular informação de forma não-ambígua, quer no sentido de evitar mal-entendidos que possam resultar de usos metafóricos ou figurativos, como sejam, por exemplo, o humor ou a ironia.</p>
<p>Outro aspecto relevante, e relacionado com este, é a noção de escrita como tecnologia, ou seja, como algo que, se interiorizado de forma adequada, expande as capacidades do ser humano. Em concreto, permite a estruturação do pensamento em termos mais abstractos, aumenta a consciência sobre o discurso que se elabora, aumenta a capacidade de introspecção e análise e, por consequência, a realização de tarefas cognitivas mais complexas e o acesso a um conhecimento mais profundo.</p>
<p>Pelo facto de ser um processo que não se desenrola numa situação síncrona de comunicação, a escrita permite reelaborar o discurso (eliminar, apagar ou mudar o que se escreveu) antes de se tornar público, ao contrário da oralidade, em que o que se disse não pode ser já retirado, apenas retractado.</p>
<p>Interessante em algumas formas de comunicação presentes no contextos a distância, como o chat, por exemplo, é que embora se esteja a comunicar através da palavra escrita, essa comunicação configura um misto entre as circunstâncias da linguagem escrita e da linguagem oral. O contexto extratextual continua ausente, mas a comunicação desenrola-se num presente real (é síncrona) e exibe muitas das características do discurso oral: não há lugar a reelaboração do texto, não há situação solitária de nenhum dos interlocutores, as necessidades de fluência e rapidez na comunicação levam à adopção de um registo mais próximo do oral e do informal do que da linguagem escrita.</p>
<p>O mesmo pode acontecer, ainda que um pouco mitigado, nas discussões assíncronas com alto grau de interacção e frequência de intervenção, dado que as contribuições tendem a ser relativamente curtas e, dado o carácter de “urgência” ou “oportunidade” que as move, o tempo para uma eventual reflexão é bastante curto, sendo frequente que não haja qualquer reelaboração do discurso.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://orfeu.org/mpel06/2006/02/11/ong-orality-and-literacy-cap-iv-implicacoes-para-a-compreensao-da-comunicacao-mediatizada-e-da-educacao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
