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	<title>Em Cena &#187; Concepção de Materiais de Aprendizagem Online</title>
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	<description>A exposição dos discursos</description>
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		<title>A Motivação (a propósito dos materiais multimédia interactivos)</title>
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		<pubDate>Tue, 09 May 2006 14:40:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Concepção de Materiais de Aprendizagem Online]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é que eu discorde da importância da motivação na aprendizagem, mas discordo muito da perspectiva actualmente dominante em alguns círculos (e não estou a dizer que é o caso de ninguém aqui, porque não sei) de que essa motivação depende e deve depender sobretudo da actuação dos professores ou dos materiais utilizados. Sendo óbvia a quota parte que quer uns quer outros têm no processo, e consequentemente a necessidade de pensar nesses aspectos, a verdade é que existem muitas outras variáveis envolvidas nas questões complexas da motivação, quer de outros contextos quer, também, do foro intrínseco. Aliás, a perspectiva que faz depender quase exclusivamente a motivação de factores externos &#8211; o professor, os materiais, a escola, etc. &#8211; esquece facilmente que a motivação mais forte é a intrínseca, a que está ligada a objectivos pessoais, a projectos de vida, a percursos de realização pessoal. Sem descurar a primeira, é sobretudo desta segunda que importa cuidar (e promover).</p>
<p>Além disso, e porque se relaciona com outras linhas de discussão, é bom de ver que essa motivação extrínseca tem sido promovida, (não só na escola, como também fora dela), sobretudo a partir do aumento dos níveis de estimulação. É precisamente por causa disso que temos que ter alguma cautela quando elogiamos as potencialidades dos materiais multimédia ou hipermédia (que as têm, sem dúvida), que podem levar à noção de que quanto mais média e diversidade mais motivação. O Dillenbourg, aliás, bem refere que um bom AVA nem tem que ser como uma árvore de Natal, pode ser uma coisa simples, e acho que o mesmo se pode dizer dos multimédia.</p>
<p>Um determinado nível de estimulação e de motivação extrínseca despertam os sentidos e a inteligência. Mas um excesso de estimulação e de motivação extrínseca, sem o desenvolvimento de mecanismos intrínsecos de motivação e de auto-estimulação (de ambição, de querer) conduz, ao contrário, ao embrutecimento dos sentidos e da inteligência, à apatia e à dependência extrema dos factores externos. A verdade é que é cada vez mais difícil motivar extrinsecamente os alunos, não só por causa da escola, mas também porque essa tem sido a abordagem prevalente na educação de crianças e jovens em muitos sectores dos países desenvolvidos.</p>
<p>Do meu ponto de vista, os aspectos relacionais (como já várias pessoas referiram), interpessoais ou até, com hoje se sabe, intrapessoais, são os aspectos verdadeiramente determinantes em termos da aprendizagem.  </p>
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		<title>Estilos Cognitivos e Estilos de Aprendizagem</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Apr 2006 22:08:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Mota</dc:creator>
				<category><![CDATA[Concepção de Materiais de Aprendizagem Online]]></category>

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		<description><![CDATA[Em relação aos estilos cognitivos, categorizações como &#8220;reflexivos&#8221;, &#8220;impulsivos&#8221;, &#8220;introvertidos&#8221; ou &#8220;extrovertidos&#8221;, ou a distinção entre &#8220;independentes de campo&#8221; e &#8220;dependentes de campo&#8221;, e as respectivas descrições deixam-me sempre a pensar se a complexidade de comportamentos humanos e a variabilidade que se conhece em função dos contextos e das situações poderá ser assim arrumada de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em relação aos estilos cognitivos, categorizações como &#8220;reflexivos&#8221;, &#8220;impulsivos&#8221;, &#8220;introvertidos&#8221; ou &#8220;extrovertidos&#8221;, ou a distinção entre &#8220;independentes de campo&#8221; e &#8220;dependentes de campo&#8221;, e as respectivas descrições deixam-me sempre a pensar se a complexidade de comportamentos humanos e a variabilidade que se conhece em função dos contextos e das situações poderá ser assim arrumada de forma tão linear. Depois, vários autores acabam por interrelacionar os dois conceitos, resultando os processos e abordagens da aprendizagem quer de factores de ordem mais &#8220;psicocognitiva&#8221; quer de outros mais ligados aos contextos e às situações.</p>
<p>Em relação aos estilos de aprendizagem, vários dos modelos propostos não parecem, sequer, ser compatíveis. Curioso, por exemplo, é o modelo de Silverman, em que não se percebe claramente onde é que entra a leitura, tradicionalmente um dos canais de banda larga por onde a informação chega ao sujeito que aprende. Se nos lembrarmos do que Ong dizia acerca da importância da escrita (e consequentemente da leitura) tínhamos aqui muito que explorar e discutir.</p>
<p>Consensual parece ser, em relação aos estilos de aprendizagem, que estes dependem bastante dos conteúdos e dos contextos de aprendizagem, bem como do significado que os alunos atribuem aos resultados da aprendizagem numa situação específica.</p>
<p>O que parece inegável é que as pessoas processam a informação de modos diferentes e aprendem de maneiras diferentes, constituam esses modos e maneiras elementos estáveis ou dinâmicos, que vão variando ou evoluindo e transformando-se.</p>
<p>Consequentemente, torna-se óbvia a necessidade de garantir a diversidade de meios, materiais e estratégias de ensino, não só porque isso vai ao encontro das diferenças indiduais, mas também porque contribui para um contexto de aprendizagem mais rico e mais estimulante. Neste sentido, a perspectiva de Duff (2000) parece-me bastante interessante. Mais do que tentar adequar o ensino a estilos específicos de aprendizagem que podem ou não ser estáveis (que podem ou não ser identificáveis pelo professor, digo eu), a preocupação deve centrar-se na criação de contextos com grande pluralidade de formas, recursos e processos (em certo sentido, também, parcialmente redundantes), em que se favoreça uma abordagem profunda e não meramente instrumental à aprendizagem.</p>
<p>Um outro aspecto fundamental no que se refere aos alunos é a questão do auto-conhecimento: o famoso &#8220;aprender a aprender&#8221; ou a metacognição. Quanto maior for a percepção que o indivíduo tem sobre as formas como aprende, os seus pontos fortes e os seus pontos fracos, os elementos comtextuais que o ajudam ou o prejudicam, maior partido poderá tirar das suas competências e melhores aprendizagens poderá realizar.</p>
<p>Isto passa, naturalmente, não pela aceitação acrítica de que &#8220;somos todos diferentes e todos iguais&#8221;, mas sim pela facilitação efectiva que quem ensina deve tentar promover dos processos reflexivos, de experimentação e aferição dos alunos, do confronto de estratégias e processos de trabalho, de modo a ajudá-los a aprofundar e desenvolver esse conhecimento de si próprios, a estabilizar o que se revela adequado e a alterar o que é manifestamente inadequado.</p>
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