Capítulo 1 - O Conceito de Web 2.0

Neste Capítulo 1, denominado O Conceito de Web 2.0, procuramos caracterizar esta noção, determinando a sua origem e conteúdo de significação e descrevendo os apectos maiores da cultura participatória imanente. Traçamos, também, a sua genealogia, ligando o desenvolvimento tecnológico às dinâmicas culturais e aos processos de transformação social que o favorecem, potenciam e moldam, bem como identificamos aspectos relativos à comunicação e à partilha de conhecimento já presentes anteriormente na Internet e, depois, na Web.

Este Capítulo sundivide-se em 3 pontos:

1.1. Génese do Conceito

1.2. A Cultura Participatória e a Read/Write Web

1.3. A Web 2.0 e a Cultura da Internet

 

1.1. Génese do conceito

The first glimmerings of Web 2.0 are beginning to appear, and we are just starting to see how that embryo might develop (…) The Web will be understood not as screenfuls of text and graphics but as a transport mechanism, the ether through which interactivity happens. It will still appear on your computer screen, transformed by video and other dynamic media made possible by the speedy connection technologies now coming down the pike. The Web will also appear, in different guises, on your TV set (interactive content woven seamlessly into programming and commercials), your car dashboard (maps, Yellow Pages, and other traveler info), your cell phone (news, stock quotes, flight updates), hand-held game machines (linking players with competitors over the Net), and maybe even your microwave (automatically finding cooking times for products).

 
Era assim que, em 1999, num artigo publicado na Print Magazine, Darcy DiNucci introduzia o termo “Web 2.0” para referir as mudanças que, segundo ela, estavam a tornar a web mais interactiva, mais interconectada e mais presente no nosso quotidiano [1]. Era uma visão ainda muito difusa e exploratória do que aí viria, mas seria suficientemente distante para que se lhe recuse o mérito de ter inventado a expressão?

Seja com for, não lhe coube a glória de ficar na História como o seu criador. Essa ficará sempre indelevelmente ligada a Dale Dougherty, vice-presidente da O'Reilly Media, Inc., uma reputada editora de livros na área da computação, através da organização de uma conferência com essa designação. Diz Tim O’Reilly, reconhecido paladino dos standards abertos (open standards), fundador e director executivo (CEO) da O'Reilly Media, Inc., num artigo de 2005, intitulado What Is Web 2.0: Design Patterns and Business Models for the Next Generation of Software:

The concept of "Web 2.0" began with a conference brainstorming session between O'Reilly and MediaLive International. Dale Dougherty, web pioneer and O'Reilly VP, noted that far from having "crashed", the web was more important than ever, with exciting new applications and sites popping up with surprising regularity. What's more, the companies that had survived the collapse seemed to have some things in common. Could it be that the dot-com collapse marked some kind of turning point for the web, such that a call to action such as "Web 2.0" might make sense? We agreed that it did, and so the Web 2.0 Conference was born. (O’Reilly, 30-09-2005: 1)

Nesse mesmo artigo, O’Reilly procura avançar uma explicitação e clarificação do que entende pelo conceito de “Web 2.0”, numa altura em que, em seu entender, havia grande instabilidade e confusão em volta do mesmo. Reportando-se à já mencionada sessão de brainstorming, apresenta um quadro em que se procurava estabelecer as diferenças entre a “velha web” e a “nova web”:

Web 1.0 Web 2.0

DoubleClick

Ofoto

Akamai

mp3.com

Britannica Online

personal websites

evite

domain name speculation

page views

screen scraping

publishing

content management systems

directories (taxonomy)

stickiness

Google AdSense

Flickr

BitTorrent

Napster

Wikipedia

blogging

upcoming.org and EVDB

search engine optimization

cost per click

web services

participation

wikis

tagging ("folksonomy")

syndication

Quadro 1 - What Is Web 2.0. Tim O’Reilly (30-09-2005).

 A Web 2.0 poderia, então, ser entendida como um deslocamento dos aspectos mais técnicos – o software que a suporta – para uma experiência de utilização enquanto plataforma através da qual são distribuídos serviços, orientados para o utilizador, em permanente transformação (uma espécie de beta perpétuo), com características novas que se encontram evidenciadas na representação gráfica que se apresenta abaixo e que incluía alguns dos elementos que se viriam a tornar verdadeiras pedras angulares neste conceito: maior controlo por parte do utilizador, maior personalização dos conteúdos e serviços, a participação, a inteligência colectiva, a fragmentaridade/atomização/modularidade da informação, ligada de modo fluído e recombinável, granularidade, etc.

Fig. 1 -  What Is Web 2.0. Tim O’Reilly (30-09-2005).

Nessa transição, o factor essencial de sucesso parece ser a capacidade de mobilizar aquilo que O’Reilly designa como a inteligência colectiva, potenciada pelo poder da rede (O’Reilly, op. cit.). Esta desenvolve-se de uma forma análoga à do cérebro, organicamente, tornando-se mais rica e complexa à medida que novas (hiper)ligações vão criando conexões com os novos sites e os novos conteúdos contribuídos por uma multidão de utilizadores.

 

Notas

[1] O texto foi consultado online no site AllBusiness http://www.allbusiness.com/periodicals/article/383501-1.html [5 de Julho de 2006], mas entretanto desapareceu. Há, contudo, outras referências que atestam esta circunstância: http://thomashawk.com/2006/05/tim-oreilly-sends-a-cease-and-desist-to-a-... [acedido em 15-12-2008] e http://digitallife.germanblogs.de/archive/2006/06/25/z79hltvluga9.htm [acedido em 15-12-2008]. Um contacto por e-mail com Darcy DiNucci permitiu obter uma cópia do artigo referido em PDF. Segundo a autora, este será disponibilizado online brevemente. Update [05-06-2010]: o artigo encontra-se actualmente disponível em http://www.cdinucci.com/Darcy2/articles/Print/Printarticle7.html.

Referências Bibliográficas

DiNucci, Darcy (1999). Fragmented Future. Print Magazine. Disponível em http://www.allbusiness.com/periodicals/article/383501-1.html [acedido em 09-11-2006].

O’Reilly, Tim (30-09-2005). What Is Web 2.0: Design Patterns and Business Models for the Next Generation of Software. O’Reilly. Disponível em http://www.oreillynet.com/pub/a/oreilly/tim/news/2005/09/30/what-is-web-... [acedido em 15-12-2008].

1.2. A Cultura Participatória e a Read/Write Web

Este irromper das vozes individuais, múltiplas, na esfera pública amplificada e distribuída que é a web provocou ondas de choque que abalaram a própria fundação dos média tradicionais, confrontados com a perda do poder que detinham sobre a produção e hierarquização da informação consumida pelo grande público. Nas palavras de O’Reilly,

The world of Web 2.0 is also the world of what Dan Gillmor calls "we, the media," a world in which "the former audience", not a few people in a back room, decides what's important. (30-09-2005: 3)

Os blogues, os wikis, os podcasts, o Youtube, sites como o Digg, entre tantos outros serviços, são os emissores de onde brotam visões de base, amadoras (em mais do que um sentido), empenhadas em partilhar visões do mundo e do quotidiano fora dos poderes editoriais instituídos, tecendo a teia plural a partir de uma grande diversidade de pontos de vista. Falando ainda deste público que tomou nas suas mãos o poder de produzir e distribuir informação, escreve Jay Rosen numa espécie de manifesto intitulado The people formerly known as the audience (Rosen, 27-07-2006):

The people formerly known as the audience wish to inform media people of our existence, and of a shift in power that goes with the platform shift you’ve all heard about.

Como não sorrir perante isto? A Web 2.0 também corporiza, em muitas das suas formas de expressão, um inegável sentido de humor e de prazer na comunicação. Como escrevia Christopher Locke já em 1999, em The Cluetrain Manifesto: The End of Business as Usual, “Irony is perhaps the most common mode of Internet communications” (Cap. 7). Mas quem são estas pessoas, ainda segundo Rosen? São

[t]he writing readers. The viewers who picked up a camera. The formerly atomized listeners who with modest effort can connect with each other and gain the means to speak— to the world, as it were. (Rosen, 27-07-2006)

Não se pense, contudo, que estamos apenas perante um cenário caótico ou anárquico de informação desconexa, sem valor, para uso doméstico ou divertimento dos amigos mais próximos. Esse tipo de produção por parte dos utilizadores existe, e em número substancial, mas as coisas não se resumem a isso. Já em 2003, no seu relatório para o Media Center do American Press Institute, intitulado We Media: How Audiences are Shaping the Future of News and Information, Shayne Bowman e Chris Willis definiam assim este jornalismo feito por cidadãos comuns:

Participatory journalism: The act of a citizen, or group of citizens, playing an active role in the process of collecting, reporting, analyzing and disseminating news and information. The intent of this participation is to provide independent, reliable, accurate, wide-ranging and relevant information that a democracy requires. (Bowman & Willis, 2003: 10)

Objectivos nobres e elevados, como pode ver-se, e que têm vindo a ser perseguidos com persistência e de forma cada vez mais disseminada. A voz dos cidadãos no imenso espaço público que é a web pode ser encarada como um dispositivo de reforço da própria democracia e de expressão de uma cidadania completa:

Once they were your printing presses; now that humble device, the blog, has given the press to us. That’s why blogs have been called little First Amendment machines [1]. They extend freedom of the press to more actors. (Rosen, 27-06-2007)

Contudo, a participação das pessoas, dos não-profissionais, não se resume à questão das notícias. A verdade é que rapidamente as empresas e serviços perceberam que os utilizadores adicionam valor, e essa é uma das lições que O’Reilly retira do fenómeno da Web 2.0 (O’Reilly, 30-09-2005). Mas nem todos o fazem voluntária e deliberadamente. Essa arquitectura de participação tem que ser planeada, organizada e suportada pelas próprias formas como os utilizadores usam os serviços. Sabendo-se que apenas uma pequena percentagem de utilizadores tem a persistência e vontade necessárias para adicionar de forma explícita valor às aplicações e serviços que utiliza, cabe às empresas Web 2.0

set inclusive defaults for aggregating user data and building value as a side-effect of ordinary use of the application. (op. cit.)

Os blogues, como também a Wikipédia (e outros serviços, diríamos) mobilizam essa inteligência colectiva como uma espécie de filtro, configurando aquilo que James Surowiecki designou como the wisdom of crowds (referido por O’Reilly, 30-09-2005), conceito que analisaremos com mais detalhe mais à frente. Através destes dispositivos de publicação e de comunicação (blogues, wikis, user-powered sites, como o Digg), do bookmarking social (Delicious, Diigo, etc.), da partilha de imagens e vídeos (Flickr, Youtube), assistimos a um fluxo ininterrupto de informação que circula na rede, de pessoas para pessoas, de qualidade desigual, mas que, dada a dimensão do fenómeno e dos números envolvidos, resulta num ganho de conhecimento disponível e partilhável por todos.

Num relatório produzido no âmbito do JISC (Joint Information Systems Committee, Reino Unido), datado de Fevereiro de 2007 e intitulado What is Web 2.0? Ideas, technologies and implications for education, Paul Anderson identifica seis grandes ideias que suportam o conceito de Web 2.0, e que não se afastam muito da visão avançada por O’Reilly:

1. A produção individual e os conteúdos produzidos pelos utilizadores (Individual production and User Generated Content)

Esta ideia agrega, por um lado, a noção de publicação pessoal e auto-expressão, potenciadas pela facilidade de acesso oferecida pelas novas tecnologias aliadas à noção de “Eu também consigo fazer isso” (em termos sociológicos e culturais, uma espécie de neo-punk) e, por outro, uma faceta mais ligada à cidadania e à intervenção na sociedade, que já referimos, na forma do citizen journalism.

2. A mobilização do poder da multidão (Harness the power of the crowd)

Para Paul Anderson (2007), a questão aqui é tentar determinar de que forma interpretamos termos como “inteligência” na expressão “inteligência colectiva” e de que modo isso se relaciona com a noção de “informação”. O próprio conceito de Wisdom of Crowds (sabedoria das multidões) avançado por Surowiecki, na obra com o mesmo nome, é também ele instável e passível de diversas interpretações, algumas delas erróneas (cf. Anderson, 2007). Esta noção de “sabedoria das multidões” não se refere a uma massa anónima agindo concertadamente e com objectivos comuns, mas antes a indivíduos desenvolvendo as suas acções de forma independente que, no seu conjunto, produzem resultados superiores, em determinadas circunstâncias, aos que um único individuo poderia obter. No mesmo sentido devem ser vistas as folksonomies, neologismo derivado de taxonomy  e que designa, na definição de Thomas Vander Wal,

the result of personal free tagging of information and objects (anything with a URL) for one's own retrieval. The tagging is done in a social environment (shared and open to others). The act of tagging is done by the person consuming the information. (citado por Anderson, 2007: 17)

Trata-se de uma acção individual, não de um esforço colaborativo, destinada a facilitar a organização e processamento de informação por parte de um utilizador, nos seus próprios termos (i.e. usando o seu próprio vocabulário). Contudo, pelo facto de ser partilhada no espaço público, permite que grupos de utilizadores com um vocabulário similar funcionem como uma espécie de “filtros humanos” (Anderson, 2007). Um outro aspecto importante no que toca à folksonomy é que as tags (etiquetas ou palavras-chave) estão constantemente a ser geradas, pelo que se torna possível detectar tendências de interesse emergentes. A possibilidade de identificar informação contextual quando as tags são agregadas deriva do elevado número de pessoas que as produzem e utilizam (Owen et al., 2006; referidos por Anderson, 2007), o que configura um cenário típico da “sabedoria das multidões” (wisdom of crowds) (Anderson, 2007).

3. Dados em grande escala (Data on an epic scale)

Um dos factores basilares na Web 2.0 é a capacidade das empresas e serviços coligirem e gerirem a imensa massa de dados disponíveis, que cresce incrementalmente, transformando-a num fluxo contínuo que pode ser, depois, utilizado de modo eficiente pelas pessoas. Já no seu artigo fundador de 2005, O’Reilly afirma que o valor do software “is proportional to the scale and dynamism of the data it helps to manage” (30-09-2005: 1). A maior parte destes dados são uma espécie de efeito secundário resultante da utilização normal dos vários serviços disponíveis na Internet (Google, Amazon, eBay, etc.), que recolhem e agregam os hábitos e perfis de utilizadores para depois construírem uma arquitectura de dados que permita desenvolver serviços mais personalizados e optimizar outros aspectos, como a publicidade, por exemplo (Anderson, 2007).

Característico destes serviços é o facto de aprenderem sempre que são usados e serem tanto melhores quanto mais pessoas os utilizarem: este é um dos cenários em que a já referida “sabedoria das multidões” (wisdom of crowds) parece emergir (O’Reilly, 30-09-2005; Anderson, 2007). Se, por um lado, este trabalho sobre os dados torna a vida de todos mais fácil no ciberespaço, ele levanta, por outro, preocupações quanto a questões de privacidade, propriedade da informação recolhida e usos potencialmente perversos para que pode ser utilizada (Anderson, 2007). Ainda, dada a relevância destes dados para o desenvolvimento e sucesso das empresas Web 2.0, há uma tendência natural para estas usarem standards proprietários que tornam difícil ou mesmo impossível aos utilizadores ou aos programadores migrar estes dados para outros serviços. Como refere O’Reilly,

the race is on to own certain classes of core data: location, identity, calendaring of public events, product identifiers and namespaces. (30-09-2005: 3)

Contudo, parece haver actualmente uma tendência para a utilização de APIs (Application Programming Interfaces) abertas e para soluções que permitem a interoperabilidade e a exportação/importação de dados entre serviços. Um dos elementos emergentes de maior importância é a OpenId, que permite às pessoas usar o mesmo nome de utilizador e a mesma palavra-passe em todos os serviços que suportem esta norma.

4. Arquitectura de participação (Architecture of Participation)

Duas ideias fundamentais neste conceito são, naturalmente, a colaboração entre as pessoas na Web e os conteúdos produzidos pelos utilizadores. Mas tão importante como isso é o facto de os serviços serem desenhados para facilitar e potenciar a utilização em massa pelas pessoas. Isto é, a sua arquitectura é pensada para poder aproveitar ao máximo o input dos utilizadores e tornam-se melhores à medida que essa utilização aumenta, sobretudo através da facilidade de uso e da disponibilização de ferramentas muito funcionais, baixando consideravelmente as barreiras que podem obstar à utilização da tecnologia. A busca do Google ou o BitTorrent (protocolo de partilha de ficheiros peer-to-peer) são exemplos claros de serviços deste tipo (Anderson, 2007).

5. Efeitos da rede, leis de potência e a “Cauda Longa” (Network effects, power laws and the Long Tail)

O conceito de “efeito de rede” (network effect) aplica-se mais comummente a redes de telecomunicações (embora não exclusivamente), e designa o aumento de valor de um serviço em que existe alguma forma de interacção com outros à medida que mais pessoas o utilizam (Anderson, 2007). Aplicado à realidade da Web, torna-se óbvio que o valor de muitos serviços, nomeadamente daqueles que assentam em tecnologias de software social, como o MySpace, o Facebook, o Delicious ou o Twitter, por exemplo, está intimamente ligado ao número de utilizadores que têm. À medida que este “efeito de rede” aumenta e as pessoas percepcionam uma maior popularidade num determinado serviço, é frequente que este exiba uma crescimento exponencial e ganhe muito rapidamente preponderância em termos do mercado (Anderson, 2007).

Este “efeito de rede” presente na Internet, suportada numa rede física de telecomunicações, é ampliado e potenciado pela natureza orgânica e relacional (hipertextual) da Web. O conteúdo contribuído pelos utilizadores, as novas ligações constantemente criadas ou o recurso a serviços que agregam dados intensifica e aprofunda este mesmo efeito. O aperfeiçoamento constante dos serviços e aplicações Web 2.0 é alimentado por este efeito de rede, integrando a já referida arquitectura de participação (Anderson, 2007).

Contudo, o “efeito de rede” não tem uma distribuição equitativa e regular por todos os utilizadores, ou seja, o “valor” adicionado varia de pessoa para pessoa, consoante o uso que dele é feito. Algumas páginas são mais relevantes do que outras para nós, e daí estarem nos nossos “favoritos”, e nem todos os nossos contactos de email têm a mesma relevância, por exemplo. Este valor relativo é, assim, ditado por uma distribuição baseada numa “lei de potência” (power law). Essa distribuição é representada por uma linha continuamente decrescente e é caracterizada por

a very small number of very high-yield events (like the number of words that have an enormously high probability of appearing in a randomly chosen sentence, like 'the' or 'to') and a very large number of events that have a very low probability of appearing (like the probability that the word 'probability' or 'blogosphere' will appear in a randomly chosen sentence) (Benkler, 2006, citado por Anderson, 2007: 22).

Este tipo de distribuição evidencia uma “cauda” muito longa, dado que a amplitude de uma “lei de potência”, à medida que se estende em direcção ao infinito, se aproxima do valor zero mas nunca chega a atingi-lo (Anderson, 2007).

A expressão “Long Tail" [2] foi primeiro usada por Chris Anderson, da revista online Wired, no artigo assim intitulado, e que tinha como lead

Forget squeezing millions from a few megahits at the top of the charts. The future of entertainment is in the millions of niche markets at the shallow end of the bitstream. (Chris Anderson, 2004)

Nele, Chris Anderson avança a ideia de que os produtos com pouca procura ou com volumes de venda baixos (que se encontram na “long tail”) podem, em conjunto, chegar a uma quota de mercado que iguala ou supera a de um número restrito de produtos que sejam campeões de vendas, desde que a rede de distribuição tenha a dimensão suficiente e que não haja, também, barreiras artificiais que impeçam as pessoas de adquirir os produtos no extremo mais distante da “cauda”.

The Long Tail. Paul Anderson (2007: 23).

Segundo Chris Anderson (2007), estamos a evoluir para uma cultura e uma economia em que os muitos milhões de pessoas que constituem estes nichos na “cauda” têm, de facto, importância. Um dos elementos que alimenta os nichos especializados, a personalização e a fragmentação é, precisamente, a facilidade com que as novas ferramentas e tecnologias permitem a passagem de uma massa passiva de consumidores a uma multidão activa de indivíduos produtores de conteúdos.

6. Abertura (Openness)

Esta é a última das seis grandes ideias que, para Paul Anderson (2007), suportam o conceito de Web 2.0. Segundo o autor, apesar das muitas leis e regulamentações em torno do controlo, acesso e direitos relativos aos conteúdos digitais, existe na Web uma longa tradição de trabalhar de forma aberta, que se manifesta, também, como uma força poderosa na Web2.0: os open standards, o software open source, a utilização livre de dados e a sua reutilização, o trabalhar num espírito de inovação aberto à participação de outros, tudo isto tem sido importante no seu desenvolvimento.

Naturalmente que essa tradição levanta vários problemas para os quais é necessário encontrar respostas. Há uma quantidade incomensurável de informação armazenada na Web, mas dadas as diferentes formas como as empresas e serviços procedem à sua recolha e agregação, é necessário promover standards abertos que permitam, por um lado, a sua transferência (data exchange) e, por outro, a sua consulta e utilização de modo simples e eficaz.

Além disso, as questões do copyright e da propriedade intelectual têm que ser devidamente ponderadas neste contexto de abertura e de partilha de conhecimento e de informação. Se muitos utilizadores distribuídos ao “longo da cauda”, por diversas razões e motivações, prescindem com facilidade de parte ou da totalidade desses direitos, já noutras situações, quando estes representam a base de uma actividade ou de uma reputação profissional (escritores, músicos, académicos), esta problemática coloca-se com particular acuidade.

A tendência parece ser, apesar de tudo, para uma abertura e partilha cada vez maior de conhecimento científico e de informação. São casos paradigmáticos as várias iniciativas ligadas aos conteúdos educacionais abertos (open content), objectos de aprendizagem (learning objects), recursos educacionais abertos (open educational resources) e cursos abertos (open courseware); as revistas cientificas de acesso livre [3] e o Public Knowledge Project [4], que disponibiliza, entre outros serviços, software de suporte à publicação de revistas científicas e académicas ou à realização de conferências de acesso livre; ou o projecto Creative Commons [5],cujas licenças permitem uma grande amplitude e flexibilidade relativamente às condições de uso que um autor pode definir relativamente àquilo que produziu, desde o copyright total – todos os direitos reservados – até ao domínio público – sem quaisquer restrições.

 

Notas

[1]Texto da 1ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos da América: Congress shall make no law respecting an establishment of religion, or prohibiting the free exercise thereof; or abridging the freedom of speech, or of the press; or the right of the people peaceably to assemble, and to petition the Government for a redress of grievances.

[2]Traduzido por “A Cauda Longa”, aquando da publicação em Português (2007) da obra que Chris Anderson veio a escrever mais tarde com o mesmo título do artigo (2006).

[3]O Directory of Open Access Journals contava, no início de Dezembro de 2008, com 3766 publicações listadas, qualificadas como “free, full text, quality controlled scientific and scholarly journals”, e uns impressionantes 239755 artigos, distribuídos por 17 áreas científicas. http://www.doaj.org/, acedido em 015-12-2008.

[4]Da página do projecto: “The Public Knowledge Project is a research and development initiative directed toward improving the scholarly and public quality of academic research through the development of innovative online publishing and knowledge-sharing environments”. http://pkp.sfu.ca/, acedido em 15-12-2008.   “Share, Remix, Reuse – Legally” é o lema desta organização sem fins lucrativos, cujo site pode ser encontrado em http://creativecommons.org/.

[5]“Share, Remix, Reuse – Legally” é o lema desta organização sem fins lucrativos, cujo site pode ser encontrado em http://creativecommons.org/.

Referências Bibliográficas

Anderson, Chris (2007). A Cauda Longa. Lisboa: Actual Editora. [Edição original em Inglês de 2006, pela Hyperion, EUA].

Anderson, Chris (2004). The Long Tail. Wired Magazine, Issue 12.10, Outubro. Disponível http://www.wired.com/wired/archive/12.10/tail.html [acedido em 15-12-2008].

Anderson, Paul (2007). What is Web 2.0: Ideas, technologies and implications for education. JISC Technology and Standards Watch. Disponível em http://www.jisc.ac.uk/media/documents/techwatch/tsw0701b.pdf [acedido em 15-12-2008].

Bowman, Shayne & Willis, Chris (2003). We Media: How Audiences are Shaping the Future of News and Information. The Media Center at the American Press Institute. Disponível em http://www.hypergene.net/wemedia/download/we_media.pdf [acedido em 15-12-2008].

Locke, Christopher; Levine, Rick; Searls, Doc; Weinberger, David (1999). The Cluetrain Manifesto: The End of Business as Usual. Disponível em http://www.cluetrain.com/book/index.html [acedido em 15-12-2008].

O’Reilly, Tim (30-09-2005). What Is Web 2.0: Design Patterns and Business Models for the Next Generation of Software. O’Reilly. Disponível em http://www.oreillynet.com/pub/a/oreilly/tim/news/2005/09/30/what-is-web-20.html [acedido em 15-12-2008].

Rosen, Jay (27-06-2006). The People Formerly Known as the Audience. Pressthink. Disponível em http://journalism.nyu.edu/pubzone/weblogs/pressthink/2006/06/27/ppl_frmr... [acedido em 15-12-2008].

1.3. A Web 2.0 e a Cultura da Internet

Será que o que se passa relativamente a essa tradição de abertura de que fala Paul Anderson se estende a outras áreas? Isto é, representará a Web2.0 uma verdadeira mudança de paradigma, uma nova era na utilização da web, ou apenas uma evolução natural que, com algumas novas práticas ou tecnologias, não faz mais que prolongar e intensificar o que já existia há muito?

Das várias vozes que advogam esta última perspectiva, a mais notável não pode deixar de ser a daquele que é o inventor da própria World Wide Web, Tim Berners-Lee[1]. Em entrevista a Scott Laningham, para os developerWorks podcasts da IBM, diz ele em resposta à pergunta sobre se concordava com a perspectiva de que a Web 1.0 tinha a ver com a ligação entre computadores e com o disponibilizar informação, enquanto que a Web 2.0 tem a ver com a ligação entre as pessoas e o facilitar de novas formas de colaboração:

Totally not. Web 1.0 was all about connecting people. It was an interactive space, and I think Web 2.0 is of course a piece of jargon, nobody even knows what it means. If Web 2.0 for you is blogs and wikis, then that is people to people. But that was what the Web was supposed to be all along. And in fact, you know, this 'Web 2.0', it means using the standards which have been produced by all these people working on Web 1.0.(Laningham, 2006: Podcast)

E percebe-se melhor, um pouco depois, porque é que Berners-Lee rejeita, do seu ponto de vista, esta noção de ruptura relativamente ao passado da Web. Inventor do WorldWideWeb – o primeiro browser, criado em 1990 num sistema NeXT (Berners-Lee, 2000), diz ele a propósito desta aplicação que permitia “ver” a Web:

And the original World Wide Web browser, of course, was also an editor (…) We'd had WYSIWYG editors for a long time. So my function was that everybody would be able to edit in this space, or different people would have access rights to different spaces. But I really wanted it to be a collaborative authoring tool. And for some reason, it didn't really take off that way (…) But I've always felt frustrated that most people don't ... didn't have write access. (Laningham, 2006: Podcast)

Para Berners-Lee, o sucesso de wikis e blogues, decorrente do entusiasmo com que os utilizadores os adoptaram, apenas reflecte a necessidade das pessoas de serem criativas e de participarem no diálogo global (op. cit.). A possibilidade de editar o espaço que se visualiza, uma ferramenta colaborativa de autoria, a necessidade de criatividade das pessoas, a possibilidade de registar o que pensam, de corrigir o que vêm que está mal, parecem, de facto, noções que configuram uma Read/Write Web, uma outra designação para a Web 2.0. Note-se como, apesar de ser alguém profundamente envolvido na criação e desenvolvimento dos suportes tecnológicos que sustentam a Web, o discurso de Berners-Lee se centra na interacção e na comunicação entre as pessoas, na colaboração, na criatividade e na produção de conteúdos, não no aparato tecnológico que lhe subjaz. Ainda nas suas palavras:

I have always imagined the information space as something to which everyone has immediate and intuitive access, and not just to browse, but to create.(citado por Paul Anderson, 2007: 14)

Por sua vez, e se prolongarmos um pouco mais esta viagem em direcção ao passado, muitos destes conceitos associados à Web que temos vindo a referir – liberdade, partilha, colaboração, comunicação, intervenção cívica, alteração nas relações de poder, etc. – podem encontrar-se na própria génese e desenvolvimento da Internet. Ou, dito de outro modo: o chassis tecnológico que suportou o desenvolvimento das Tecnologias da Informação e da Comunicação parece ter sido sempre recoberto por um conjunto de valores e práticas que, à falta de melhor termo, poderíamos designar como “cibercultura”, de que a Web 2.0 seria, apenas, a instância mais recente.

No capítulo dois de La Galaxia Internet, intitulado La Cultura de Internet, Castells (2001: 51) afirma:

Los sistemas tecnológicos se producen socialmente y la producción social viene determinada por la cultura. Internet no constituye una excepción a esta regla. La cultura de los productores de Internet dio forma a este médio.

Esta afirmação de Castells, que este usa como ponto de partida para dizer, mais à frente, que “La cultura de Internet es la cultura de los creadores de Internet” (op. cit.: 51), é da maior importância, porque põe em causa a perspectiva mais ou menos disseminada entre muitas das vozes que reflectem sobre o impacto e o papel das (novas) tecnologias na sociedade e nos indivíduos. De facto, ao contrário da crença de que são os avanços tecnológicos que vão moldando a sociedade e as formas de viver e comunicar, podemos, a partir desta ideia, perspectivar o processo de um outro ângulo: são as dinâmicas culturais e os processos de transformação social que favorecem ou potenciam o desenvolvimento tecnológico, condicionando-o ou moldando-o como resposta a necessidades não preenchidas e que, através dele, encontram formas operacionais de se exprimir e realizar.

Este deslocamento do olhar sobre as tecnologias como o motor das transformações para os processos culturais e sociais que estão na base do desenvolvimento tecnológico ajuda desde logo a explicar, por exemplo, a história (já relativamente longa) do insucesso da introdução dos computadores nas escolas, ou os enganos e mal-entendidos em que se têm arrastado boa parte das experiências na área do ensino online ou do e-learning.

Sem as convulsões registadas nos anos 60 nos Estados Unidos da América, que passaram muito pela desvinculação de uma elite universitária face a um modelo de sociedade em que não se reviam e que queriam mudar profundamente, jamais teríamos tido a Internet como a conhecemos hoje (a Universidade de Berkeley, por exemplo, centro do Free Speech Movement e da contestação aos poderes instituídos nos anos 60, emerge na década seguinte como um dos principais pólos de desenvolvimento tecnológico que está na base da Internet). A expansão e a valorização do conceito de liberdade individual, a descoberta do conhecimento enquanto valor económico primordial, a resistência à autoridade e à organização “vertical”, privilegiando-se uma organização “horizontal” de partilha, cooperação e co-responsabilidade são alguns dos aspectos que resultaram desse processo e que se encontram embebidos na própria natureza da Internet. Conceitos em voga nos anos 70 e 80, quando a Internet dava os primeiros passos e se desenvolvia, como “small is beautiful”, “think globally, act locally” ou a “grassroots economy” centravam-se precisamente na ideia de redes de partilha (de poder, de competências e de conhecimentos), cooperação e entreajuda, que constitui um dos pilares do open source e do software livre. Muitos destes aspectos estão presentes em três dos quatro estratos culturais que, segundo Castells (2001), produziram e moldaram a Internet:

1) a cultura tecnomeritocrática, que promove o desenvolvimento tecnológico segundo um modelo académico - investigação científica partilhada, reputação e reconhecimento obtidos mediante a qualidade e a operacionalidade do trabalho produzido, a avaliação pelos pares e a publicitação e disseminação da investigação realizada e do conhecimento construído;

2) a cultura hacker, constituída por wiz kids que privilegiam sobretudo a liberdade, a cooperação, a reciprocidade e a informalidade, livres de constrangimentos institucionais e/ou corporativos e que encontram na rede e na virtualidade o seu habitat natural;

3) as comunidades online, que deram conteúdo e expressão social ao uso da tecnologia, trazendo para a rede a vida social e usando-a para expandir as formas de interacção, cooperação e entreajuda.

Ironicamente, a Internet como meio privilegiado de comunicação e acesso à informação que conhecemos hoje, massificada e largamente disseminada, não teria sido possível sem um quarto estrato cultural: o dos empresários capitalistas. Largamente alheios aos altos e nobres princípios e valores dos restantes estratos, interessados apenas em fazer dinheiro, o mais possível, foram no entanto eles que emprestaram (e continuam a emprestar) ao conhecimento disponível o investimento necessário para a sua concretização a larga escala.

Hoje, o espaço privilegiado onde se desenvolve a cultura digital é ainda um contexto muito heterogéneo, em que novas formas muito eficientes de comunicar e de armazenar, processar e distribuir informação coexistem com formas muito anárquicas e de baixo valor informativo e comunicativo. Por outro lado, a diversidade de práticas e experiências que resultam de uma grande variedade de subculturas e redes de interesses fazem da cibercultura um conceito complexo e multifacetado. Mas nesta linha que traçámos a partir de Berners-Lee e de Castells, parece indubitável que muitos dos elementos constitutivos da natureza da Internet e da Web, incluindo um certo carácter de contra-cultura e de contra-poder(es), um espaço de liberdade e de criatividade, descentralizado e “deslocalizado”, se encontram presentes em muitas das caracterizações da Web 2.0. Desse ponto de vista, a obra The Cluetrain Manifesto: The End of Business as Usual, publicada em 1999 por Chris Locke, Rick Levine, Doc Searls e David Weinberger, parece-nos ilustrar claramente essa relação de continuidade. Veja-se também, apenas a título de exemplo, a referência que Slevin faz à noção de “esfera pública” de Habermas, definida como

a forum, constituted by a community of individuals, coming together as equals, capable of producing and reproducing a public opinion through critical discussion, argument and reasoned debate. (citado por Slevin, 2000: 76)

Não sendo só isto, a cibercultura pode ser também isto, expresso na imensidão de blogues e user-powered sites[2] orientados para a dissecação e discussão públicas dos mais variados temas, incluindo a questionação da informação veiculada nos média dominantes, como a televisão, a rádio ou os jornais, ou as outras formas já referidas através das quais milhões de pessoas em todo o mundo se envolvem em verdadeiras redes de produção e de partilha de informação e de conhecimento.

Em suma, diríamos que a cibercultura parece construir-se na confluência das características já referidas relativas à génese e desenvolvimento da Internet e da Web, permanecendo ainda central naquilo que se designa comummente como Web 2.0. É no próprio Tim O’Reilly que podemos encontrar um fundamento sólido para este continuum que tentámos aqui traçar. Numa das várias tentativas posteriores para clarificar o conceito de Web 2.0, define assim uma das regras essenciais para o sucesso nessa nova plataforma:

Build applications that harness network effects to get better the more people use them.(O’Reilly, 10-12-2006)

E, em jeito de comentário a este princípio que havia anteriormente formulado como “harnessing collective intelligence”, acrescenta, quase como num aparte:

(Eric Schmidt has an even briefer formulation of this rule: "Don't fight the internet." (…) Think deeply about the way the internet works, and build systems and applications that use it more richly, freed from the constraints of PC-era thinking, and you're well on your way. Ironically, Tim Berners-Lee's original Web 1.0 is one of the most "Web 2.0" systems out there -- it completely harnesses the power of user contribution, collective intelligence, and network effects).(op. cit.)

Resta saber se, tal como a “esfera pública” de Habermas, a cibercultura vai acabar por ser dominada pelos interesses comerciais e pela intervenção dos governos, sempre ávidos de controlar o(s) discurso(s) público(s) ou se, pelo contrário, vai conseguir preservar as características que herdou dos processos sociais e das dinâmicas culturais que lhe deram origem. Há, sem dúvida, perigos emergentes, desde logo os que resultam do excesso de informação e das estratégias das grandes corporações, como notam Geert Lovink (05-09-2008), em The society of the query and the Googlization of our lives (Stop searching, start questioning, é o mote deste artigo), ou Nicholas Carr, que no seu artigo de 2008, intitulado Is Google Making Us Stupid?, fala da forma como, na sua perspectiva, a nossa percepção da informação, nomeadamente no que se refere à leitura, está a ser “formatada” para uma abordagem mais superficial, de tempos de atenção muito menores, tornando-nos de novo consumidores menos críticos e mais facilmente manipuláveis pelos interesses comerciais que são a outra face (a melhor ou a pior, dependendo da perspectiva) da nossa experiência da Web como espaço social.

 

Notas

[1]Investigador no CERN, responsável pela criação da linguagem HTML e do protocolo HTTP, actualmente com um papel muito activo no desenvolvimento da chamada “web semântica”.

[2]Sites cujos conteúdos são da responsabilidade de grandes grupos de utilizadores. Alguns exemplos mais conhecidos são o Digg, o Delicious, o Slashdot ou o Youtube.

Referências Bibliográficas

Anderson, Paul (2007). What is Web 2.0: Ideas, technologies and implications for education. JISC Technology and Standards Watch. Disponível em http://www.jisc.ac.uk/media/documents/techwatch/tsw0701b.pdf [acedido em 15-12-2008].

Berners-Lee, Tim (21-11-2007). Giant Global Graph. Decentralized Information Group (DIG): timbl's blog. Disponível em http://dig.csail.mit.edu/breadcrumbs/node/215 [acedido em 15-12-2008].

Berners-Lee, Tim (2000). Tejiendo la Red. Madrid: Siglo XXI.

Carr, Nicholas (2008). Is Google Making Us Stupid? The Atlantic, Julho/Agosto. Disponível em http://www.theatlantic.com/doc/200807/google [acedido em 15-12-2008].

Castells, Manuel (2001). La Galaxia Internet. Barcelona: Areté.

Laningham, Scott (Ed.) (2006). Tim Berners-Lee. Podcast. developerWorks Interviews, 22 de Agosto, site da IBM. Disponível em http://www.ibm.com/developerworks/podcast/dwi/cm-int082206txt.html [acedido em 15-12-2008].

Locke, Christopher; Levine, Rick; Searls, Doc; Weinberger, David (1999). The Cluetrain Manifesto: The End of Business as Usual. Disponível em http://www.cluetrain.com/book/index.html [acedido em 15-12-2008].

Lovink, Geert (05-09-2008). The society of the query and the Googlization of our lives. Eurozine. Disponível em http://www.eurozine.com/articles/2008-09-05-lovink-en.html [acedido em 15-12-2008].

O’Reilly, Tim (10-12-2006). Web 2.0 Compact Definition: Trying Again. O’Reilly Radar. Disponível em http://radar.oreilly.com/archives/2006/12/web-20-compact.html [acedido em 15-12-2008].

Slevin, James (2000). The Internet and Society. Cambridge, UK: Polity Press.