Resumo

A emergência da Web 2.0, ou Read/Write Web, é algo que vai muito para além do mero domínio tecnológico: ela é, mais do que uma revolução tecnológica, uma revolução social e cultural, estendendo-se a todas as áreas da sociedade. Em poucos anos, a Web 2.0 mudou radicalmente a forma como as pessoas utilizam a Internet e interagem com os outros, com a informação e com o conhecimento. De consumidores de conteúdos e informação, estes novos cidadãos digitais passaram também a ser produtores de informação, criando conteúdos que partilham e que passam a fazer parte do corpus de informação e de conhecimento disponíveis na Web, tomando para si o controlo de muitos processos e espaços tradicionalmente dominados por corporações e instituições. Do citizen journalism ou jornalismo participatório aos sistemas de recomendação dos próprios consumidores, é o embrião de uma democracia digital solidária, empenhada e voluntária que parece tomar forma.

Quando vista na perspectiva do e-Learning, esta nova realidade provoca mudanças muito significativas, podendo falar-se na emergência do e-Learning 2.0. Os utilizadores trazem para as situações de aprendizagem uma série de necessidades e expectativas, de formas de actuar e de se relacionar com a informação e o conhecimento que exigem novos modos de facilitar e orientar a sua formação. Por um lado, aspectos como a independência e a autonomia na aprendizagem, a sua personalização e o controlo desse processo por parte de quem aprende, desde sempre fundamentais no ensino a distância, ganham agora uma nova dimensão e relevância, quando a cultura participatória da Web actual exige pedagogias, elas também, participatórias, em que os aprendentes sejam contribuintes activos para a sua experiência de aprendizagem. Por outro lado, a vivência em rede, assente na partilha, no diálogo e na colaboração, requer contextos em que a aprendizagem tenha uma forte dimensão social e a interacção e a colaboração sejam incentivadas. Novas perspectivas pedagógicas para a era digital, como o Conectivismo ou a Educação Rizomática, juntam-se às abordagens de raiz socioconstrutivista potenciadas pela utilização do software social.

Enquanto alguém que aprende ao longo da vida, o utilizador Web 2.0 transporta consigo um conjunto de contactos, recursos, ferramentas e artefactos (dinâmico, mutável e evolutivo), uma espécie de portfólio pessoal combinado com uma rede social de comunicação e interacção, que constitui, de certa forma, o seu Ambiente Pessoal de Aprendizagem (Personal Learning Environment – PLE). As características deste contexto sociocultural, tecnológico e educativo e a experiência que resulta de viver e aprender nele conduzem a uma certa desestabilização e problematização de noções como as de autoria, validade e certificação do conhecimento, aprendizagem formal e informal, relação entre quem aprende e quem ensina ou natureza e finalidade do conhecimento, bem como do papel da Universidade e do Professor.

Palavras-Chave

e-Learning 2.0   Colectivos   PLE   Colaboração   Aprendizagem Colaborativa   Redes   Web 2.0   Read/Write Web Conectivismo  Personal Learning Environment e-Learning Conhecimento Conectivo   Inteligência Colectiva